A Plataformização da Criatividade
Quem escreve no Substack sabe o quanto a plataforma (assim como todas as outras) nos transforma pouco a pouco em escravos dos números. É só ter a primeira edição no ar que já somos atacados por taxas de abertura, visualizações, curtidas, interações, novos assinantes e tudo que vem com isso. Para a plataforma é interessante que a gente continue publicando o máximo possível. Não é raro ver gente que escreve todos os dias ou algumas vezes por semana, espremendo qualquer resquício de criatividade para seguir alimentando o motor dos números que não pode parar.
Mas eu fico pensando até quando isso é sustentável. Nós, que escrevemos, também somos ali o maior público leitor. Lemos uns aos outros, criamos uma comunidade bacana que troca muita experiência e que aprende sobre coisas às quais jamais seríamos expostos se não fossem os hiperfocos alheios.
Sociedade do cansaço
Sempre que encontrava alguma coisa interessante, assinava a newsletter onde ela foi publicada. Tanto por querer ver mais coisas como aquela, como também uma forma de apoiar um grupo que está aos poucos crescendo. Mas nos últimos meses percebo que não consigo acompanhar mais tudo isso.
Vi que muita gente intensificou o número de publicações, às vezes com coisas mais curtas para preencher o calendário, outras com o mais puro suco do e-mail marketing. Quero poder realmente mergulhar na criação dos outros, dar a atenção necessária para aquilo, e prefiro milhões de vezes receber um textinho novo de alguém uma ou duas vezes por mês e poder me animar com isso do que ver o mesmo nome na caixa de entrada várias vezes por semana, me causando desespero por não estar conseguindo acompanhar.
Não me pergunte o que fazer, não tenho respostas
Enfim, esse foi um desabafo mais sobre mim do que qualquer outra pessoa. Mas precisava escrever sobre isso porque comecei a seguir newsletters e blogs justamente para fugir da lógica de volume das redes sociais. Me entristece um pouco ver isso cada vez mais criando uma lógica de mercado para pessoas que tentavam justamente se afastar dela.
Não tenho respostas para isso, acho que o meu jeito e a minha proposta de criação são muito mais fluidas e lentas. Sei que muita gente está na busca de monetizar a criatividade para tentar viver disso, algo que adoraria que fosse possível mas que não quero fazer desse jeito. Tudo o que posso falar por enquanto é: vai com calma.